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sábado, 26 de maio de 2012

MISTÉRIO VII - O SINISTRO CASO DO CASAL DE MÉDICOS E DA MULHER DEFORMADA


          




           Esse caso se passou no interior de Piauí.  Quando Lucilene foi procurar trabalho na residência do casal de médicos, ela estava grávida. Achou que não seria contratada, mas tinha que tentar um emprego e arriscou. Para sua surpresa foi admitida. Já estava com quase cinco meses de gravidez e Dra Alzira foi muito solícita com ela, se ofereceu  para fazer o acompanhamento e o parto. A empregada aceitou de bom gosto, era sozinha naquela cidade, havia fugido de casa quando soube que estava grávida, filha de pais rígidos, jamais seria aceita nessas condições, preferiu fugir  e ter seu bebê . Ficou muito feliz ao saber que podia contar com a bondade dos patrões.
             A casa era distante da cidade e a moça passou a residir no emprego. Às vezes ela saia para fazer alguma coisa e sempre via uma mulher que a assustava muito. Seu rosto era deformado, não tinha separação entre o nariz e a boca, era algo repulsivo. Desde que a viu Lucilene ficou com muito medo, todas as vezes que colocava o pé para fora do portão da casa se deparava com Judite, que olhava profundamente em seus olhos e ela ficava muito incomodada com a presença daquela mulher deformada e descabelada.
             Aquela cena se repetiu durante todos os meses de sua gravidez. No dia do parto a grávida começou a sentir dores desde cedo e quando seus patrões chegaram providenciaram de imediato os preparativos para o nascimento do nenê. Após o parto, a doutora veio com o semblante triste dizendo que infelizmente a criança não sobrevivera, Lucilene queria ver seu filho, mas ela explicou que talvez fosse melhor não ver, para evitar traumas, a criança nascera com uma terrível deformação. A empregada ficou muito triste e com o passar dos meses  seus patrões a convenceram de voltar para casa, onde estaria mais segura na presença de seus familiares, nem precisava dizer que esteve grávida, ela concordou e foi embora amparada pela boa patroa.
           Naquela mesma semana os médicos colocaram anúncio no jornal contratando uma nova empregada, vieram muitas se oferecer para o trabalho, foram dois meses entrevistando muitas moças, mas nenhuma delas se encaixava ao perfil que o casal gostaria. Foi quando chegou Cleonice, mulher tímida, recentemente viúva e grávida. Estava morando na casa de uma tia idosa muito pobre, desde que faleceu o marido.
            Ficou muito feliz com o novo trabalho, passou a morar na residência dos patrões, a estadia com a tia idosa era provisória. Já nos primeiros dias que estava morando no emprego deparou-se com Judite, apesar do susto inicial deu um suave sorriso para a mulher que se intimidou e saiu correndo. A doutora novamente demonstrou ser muitíssimo atenciosa, se ofereceu para acompanhar toda a gravidez da nova empregada, que aceitou. Os meses seguintes foram muito tranquilos. Sempre Cleonice ao sair pelo portão se deparava com Judite a encarando e ela sorria para a deformada mulher, que além do problema estético, estava sempre descabelada e mal vestida. Ela morava num casebre de lata bem pertinho dali, era a única vizinha que o casal tinha. A grávida se enchia de compaixão, não tinha medo como as outras pessoas e sempre tentava conversar. Um dia a mulher não correu como sempre fazia quando a empregada lhe dirigia a palavra, ela sorriu também, mas seu sorriso era horrível, abria-se uma cratera imensa emendando  a boca com o nariz, mesmo assim a bondosa empregada não se assustou.
          Esses sorrisos fizeram se diários conforme passava os meses, mas Judite não se aproximava. Quando a grávida estava para ganhar o nenê por aqueles dias, a mulher se aproximou dela e pegou em sua mão e pediu para que ela fosse embora o mais rápido possível, pois após o parto seus patrões assariam a criança para comer, disse que haviam passado por ali mais de quinze grávidas e todas saiam sem seus bebês, ela descobrira o assassinato das crianças, mas nunca falou nada por medo. A empregada assustou-se terrivelmente, mas ao mesmo tempo não sabia se era verdade, por via das dúvidas resolveu ir embora. Ao começar arrumar suas coisas passou a sentir dores de parto e não conseguiu sair. Depois pensou que aquilo era um absurdo. Delírios de uma mulher tão solitária, ficou tranquila. A médica chegou e ajeitou os preparativos para o parto. Tudo correu perfeito até que entra o doutor Reginaldo e comunica o triste falecimento da criança. Cleonice fica desesperada e pede para ver o bebê e ele diz que é melhor que ela não veja, pois poderia ficar traumatizada, a criança nasceu com uma deformidade. Após isso deu um sedativo para a empregada.
             Após ter dormido um pouco, Cleonice acorda ainda muito sonolenta, força levantar-se da cama, ouve um choro de criança distante e segue até a cozinha onde vê o casal banhando o seu filho na pia e preparando uma tábua de carne. Ela desesperada avança no casal com uma faca e consegue ferir Alzira num golpe certeiro, o médico solta a criança e vai para cima da moça que dá a volta pela mesa e agarra o bebê, segurando a faca vai se afastando de costas, mirando-a ao doutor. Ele vendo a esposa no chão sangrando muito, num impulso vai socorrê-la e a mãe corre com seu filho em direção ao portão que está trancado, ela chama por Judite, que venha ajuda-la.  A mulher pula o muro e vem socorrê-la, pega a faca da mão dela e fica frente a frente com o médico que ameaça mata-la também. Enquanto isso Cleonice corre ao telefone e liga pedindo ajuda, segurando seu filho que chora muito nos seus braços. Ao voltar avista o médico e Judite agarrados um ao outro, numa luta corporal. Avista um martelo numa bancada de jardim e o pega e acerta na cabeça do médico atordoando-o, com isso elas conseguem fugir pela estrada. Escondem-se num mato e veem o doutor passando de carro indo atrás delas. Cleonice põe o dedo na boca da criança que suga desesperada de fome e nesse momento para de chorar, quando o Reginaldo está distante ela lhe dá o peito, ficam ali quietas por um grande período e o médico volta para socorrer sua esposa, nisso chega a viatura da polícia.
                 Quando começaram as escavações para encontrar os ossos das crianças, muitos policiais choraram ao desenterrar dezessete ossadas. O casal confessou que assava as crianças para comer.  Esse caso ficou conhecido como os doutores canibais. Depois de alguns anos Reginaldo se enforcou na cela da prisão e Alzira está num sanatório até hoje, ficou louca.
 
   



















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