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sábado, 26 de maio de 2012

MISTÉRIO VIII - O SINISTRO CASO DO VENDEDOR DE IMÓVEIS QUE ENGANAVA AS PESSOAS


                       






                                  Esse caso aconteceu na Bahia. Nestor era um vendedor de imóveis, muito mau caráter, fazia qualquer coisa por dinheiro. Havia enriquecido muito nos últimos anos, descobrira uma forma de enganar e roubar seus clientes mais humildes.
                              Certo dia recebeu um telefonema de um senhor muito velhinho que morava sozinho e queria vender a casa e comprar uma menor, que lhe desse menos trabalho para cuidar e menos despesas. O corretor chegou à sua casa e fez uma avaliação com preço muito reduzido e o dono da casa achou absurdo o valor. Nestor colocou vários obstáculos e disse para ele consultar outro profissional que com certeza diria o mesmo. Ao sair contatou seu comparsa que no dia seguinte procurou o velho dizendo que era corretor e se ele venderia sua casa, pois tinha um provável comprador. O senhor muito feliz pediu para ele avaliar o imóvel e o sujeito passou um valor com pouquíssima diferença do valor anterior. Com isso o dono da casa se convenceu que não poderia ser maior o preço de seu imóvel. Combinado os valores veio um terceiro e fechou o negócio que  logo em seguida colocou à venda pelo dobro do que pagou. O velho ficou muito triste quando descobriu que sua casa estava à venda pelo dobro do preço que vendeu. Mas nada pode fazer, pois vendera legalmente o imóvel, isso porque ele nem imaginava que foi o irmão do próprio Nestor que comprou a casa, a mando dele. E era assim que Nestor ia agindo, comprava por uma bagatela e vendia pelo real valor. Com isso ia ficando rico. Não tinha dó das pessoas que ele enganava, muitos acabavam sem conseguir adquirir outro imóvel. O corretor sempre sorria largamente e dizia que o mundo era dos espertos.
                  Ele chegava a praticar essa ação de três a quatro vezes ao ano. Bastava uma pessoa humilde e sem maiores instruções procurá-lo para fazer negócios, que ele imediatamente arquitetava o plano. Sempre seu irmão e o amigo o ajudava.
                   Passado uns cinco meses do último golpe, veio lhe procurar uma senhora dizendo que estava vendendo sua humilde casa porque precisava comprar remédios para a filha que estava muito enferma. Ao perceber a ausência de conhecimento da pobre mulher, imediatamente ele arquitetou o plano. Após ele passar o preço para a velha senhora, dois dias depois bate à sua porta o outro comparsa avaliando a casa no mesmo valor que o Nestor havia passado. Só que o segundo avaliador ficou com muito dó dá velha e pediu para que seu amigo desistisse com o plano. Nestor ficou bravo e não quis mudar de ideia. Porém Pedro disse que não participaria mais desses negócios escusos, que arrumasse outro para o serviço e saiu decidido não mais trabalhar com o corretor desonesto. Vendo que não havia outra opção Dona Rubia aceitou o negócio.  Tudo correu como sempre. Não havia nenhuma margem de suspeita que a corretagem que o homem fazia era ilegal. Na verdade, a pessoa vendia porque queria, ele não obrigava, era o que dizia à sua esposa quando ela questionava sobre ele estar sendo desonesto. O homem era muito bom de conversa e conseguia convencer Mariana que não estava errado.  Ao fazerem as transações financeiras só faltava assinar os papéis. O corretor estava irradiante, venderia a casa pelo dobro do preço que havia comprado e já tinha cliente certo. A velhinha teria que desocupar a casa em uma semana. Ela pediu um mês, pois sua filha estava muito doente. Ele argumentou que um mês era muito, mas ela insistiu. Pediu que eles fossem até o quarto do fundo ver sua filha. Ele e o irmão não queriam ir , mas diante do impasse do papel não assinado resolveram ver a doente. Ao entrarem no quarto depararam com um  ambiente de pouca luz e mau cheiroso. Numa cama de solteiro avistaram a mulher deitada com os cabelos embramados e virada para a parede. Estava enrolada num encardido e fino cobertor marrom e percebia-se pelo volume que era um corpo esquelético. Da enferma saia um gemido rouco e constante. Nestor e Ricardo ficaram enojados. O cheiro entrava em suas narinas e causava engulhos. Mesmo diante da cena da miséria humana ambos não desistiram do negócio. A velhinha tinha um olhar de causar pena em qualquer pessoa. Mas não neles. Ela decidiu ainda no quarto que assinaria os papéis, a porta se bateu com o vento e ficaram somente com a luz das frestas do telhado, o suficiente para enxergar um pouco. Os olhos dos homens brilharam diante da assinatura e a velha pediu para que sua filha virasse e se despedisse deles. Ela perguntou com uma voz fanhosa e repugnante se eles não tinham dó dela, tão enferma e da pobre velhinha tão indefesa. Antes que Nestor pudesse responder algo, a moça se virou para eles e revelou um rosto extremamente magro, cinza e enrugado com olhos vermelhos, cabelos despenteados, sujos e cheios de nós. Ao levantar o seu corpo esquelético revelou as mãos com unhas pretas imensas e foi na direção dos dois que forçaram a porta para abri-la, mas não se abriu, estava trancada. Começaram a gritar de pavor. Ao olharem para a velha, viram um monstro, pele e osso, com os olhos vermelhos e ria largamente, dizendo que o mundo era dos espertos. Os dois pediam piedade.
                No dia seguinte um agricultor indo ao trabalho, avistou à beira de um caminho deserto, bem próximo a uma grande pedra, dois corpos totalmente mutilados.
    

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