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sábado, 26 de maio de 2012

MISTÉRIO VIII - O SINISTRO CASO DO VENDEDOR DE IMÓVEIS QUE ENGANAVA AS PESSOAS


                       






                                  Esse caso aconteceu na Bahia. Nestor era um vendedor de imóveis, muito mau caráter, fazia qualquer coisa por dinheiro. Havia enriquecido muito nos últimos anos, descobrira uma forma de enganar e roubar seus clientes mais humildes.
                              Certo dia recebeu um telefonema de um senhor muito velhinho que morava sozinho e queria vender a casa e comprar uma menor, que lhe desse menos trabalho para cuidar e menos despesas. O corretor chegou à sua casa e fez uma avaliação com preço muito reduzido e o dono da casa achou absurdo o valor. Nestor colocou vários obstáculos e disse para ele consultar outro profissional que com certeza diria o mesmo. Ao sair contatou seu comparsa que no dia seguinte procurou o velho dizendo que era corretor e se ele venderia sua casa, pois tinha um provável comprador. O senhor muito feliz pediu para ele avaliar o imóvel e o sujeito passou um valor com pouquíssima diferença do valor anterior. Com isso o dono da casa se convenceu que não poderia ser maior o preço de seu imóvel. Combinado os valores veio um terceiro e fechou o negócio que  logo em seguida colocou à venda pelo dobro do que pagou. O velho ficou muito triste quando descobriu que sua casa estava à venda pelo dobro do preço que vendeu. Mas nada pode fazer, pois vendera legalmente o imóvel, isso porque ele nem imaginava que foi o irmão do próprio Nestor que comprou a casa, a mando dele. E era assim que Nestor ia agindo, comprava por uma bagatela e vendia pelo real valor. Com isso ia ficando rico. Não tinha dó das pessoas que ele enganava, muitos acabavam sem conseguir adquirir outro imóvel. O corretor sempre sorria largamente e dizia que o mundo era dos espertos.
                  Ele chegava a praticar essa ação de três a quatro vezes ao ano. Bastava uma pessoa humilde e sem maiores instruções procurá-lo para fazer negócios, que ele imediatamente arquitetava o plano. Sempre seu irmão e o amigo o ajudava.
                   Passado uns cinco meses do último golpe, veio lhe procurar uma senhora dizendo que estava vendendo sua humilde casa porque precisava comprar remédios para a filha que estava muito enferma. Ao perceber a ausência de conhecimento da pobre mulher, imediatamente ele arquitetou o plano. Após ele passar o preço para a velha senhora, dois dias depois bate à sua porta o outro comparsa avaliando a casa no mesmo valor que o Nestor havia passado. Só que o segundo avaliador ficou com muito dó dá velha e pediu para que seu amigo desistisse com o plano. Nestor ficou bravo e não quis mudar de ideia. Porém Pedro disse que não participaria mais desses negócios escusos, que arrumasse outro para o serviço e saiu decidido não mais trabalhar com o corretor desonesto. Vendo que não havia outra opção Dona Rubia aceitou o negócio.  Tudo correu como sempre. Não havia nenhuma margem de suspeita que a corretagem que o homem fazia era ilegal. Na verdade, a pessoa vendia porque queria, ele não obrigava, era o que dizia à sua esposa quando ela questionava sobre ele estar sendo desonesto. O homem era muito bom de conversa e conseguia convencer Mariana que não estava errado.  Ao fazerem as transações financeiras só faltava assinar os papéis. O corretor estava irradiante, venderia a casa pelo dobro do preço que havia comprado e já tinha cliente certo. A velhinha teria que desocupar a casa em uma semana. Ela pediu um mês, pois sua filha estava muito doente. Ele argumentou que um mês era muito, mas ela insistiu. Pediu que eles fossem até o quarto do fundo ver sua filha. Ele e o irmão não queriam ir , mas diante do impasse do papel não assinado resolveram ver a doente. Ao entrarem no quarto depararam com um  ambiente de pouca luz e mau cheiroso. Numa cama de solteiro avistaram a mulher deitada com os cabelos embramados e virada para a parede. Estava enrolada num encardido e fino cobertor marrom e percebia-se pelo volume que era um corpo esquelético. Da enferma saia um gemido rouco e constante. Nestor e Ricardo ficaram enojados. O cheiro entrava em suas narinas e causava engulhos. Mesmo diante da cena da miséria humana ambos não desistiram do negócio. A velhinha tinha um olhar de causar pena em qualquer pessoa. Mas não neles. Ela decidiu ainda no quarto que assinaria os papéis, a porta se bateu com o vento e ficaram somente com a luz das frestas do telhado, o suficiente para enxergar um pouco. Os olhos dos homens brilharam diante da assinatura e a velha pediu para que sua filha virasse e se despedisse deles. Ela perguntou com uma voz fanhosa e repugnante se eles não tinham dó dela, tão enferma e da pobre velhinha tão indefesa. Antes que Nestor pudesse responder algo, a moça se virou para eles e revelou um rosto extremamente magro, cinza e enrugado com olhos vermelhos, cabelos despenteados, sujos e cheios de nós. Ao levantar o seu corpo esquelético revelou as mãos com unhas pretas imensas e foi na direção dos dois que forçaram a porta para abri-la, mas não se abriu, estava trancada. Começaram a gritar de pavor. Ao olharem para a velha, viram um monstro, pele e osso, com os olhos vermelhos e ria largamente, dizendo que o mundo era dos espertos. Os dois pediam piedade.
                No dia seguinte um agricultor indo ao trabalho, avistou à beira de um caminho deserto, bem próximo a uma grande pedra, dois corpos totalmente mutilados.
    

MISTÉRIO VII - O SINISTRO CASO DO CASAL DE MÉDICOS E DA MULHER DEFORMADA


          




           Esse caso se passou no interior de Piauí.  Quando Lucilene foi procurar trabalho na residência do casal de médicos, ela estava grávida. Achou que não seria contratada, mas tinha que tentar um emprego e arriscou. Para sua surpresa foi admitida. Já estava com quase cinco meses de gravidez e Dra Alzira foi muito solícita com ela, se ofereceu  para fazer o acompanhamento e o parto. A empregada aceitou de bom gosto, era sozinha naquela cidade, havia fugido de casa quando soube que estava grávida, filha de pais rígidos, jamais seria aceita nessas condições, preferiu fugir  e ter seu bebê . Ficou muito feliz ao saber que podia contar com a bondade dos patrões.
             A casa era distante da cidade e a moça passou a residir no emprego. Às vezes ela saia para fazer alguma coisa e sempre via uma mulher que a assustava muito. Seu rosto era deformado, não tinha separação entre o nariz e a boca, era algo repulsivo. Desde que a viu Lucilene ficou com muito medo, todas as vezes que colocava o pé para fora do portão da casa se deparava com Judite, que olhava profundamente em seus olhos e ela ficava muito incomodada com a presença daquela mulher deformada e descabelada.
             Aquela cena se repetiu durante todos os meses de sua gravidez. No dia do parto a grávida começou a sentir dores desde cedo e quando seus patrões chegaram providenciaram de imediato os preparativos para o nascimento do nenê. Após o parto, a doutora veio com o semblante triste dizendo que infelizmente a criança não sobrevivera, Lucilene queria ver seu filho, mas ela explicou que talvez fosse melhor não ver, para evitar traumas, a criança nascera com uma terrível deformação. A empregada ficou muito triste e com o passar dos meses  seus patrões a convenceram de voltar para casa, onde estaria mais segura na presença de seus familiares, nem precisava dizer que esteve grávida, ela concordou e foi embora amparada pela boa patroa.
           Naquela mesma semana os médicos colocaram anúncio no jornal contratando uma nova empregada, vieram muitas se oferecer para o trabalho, foram dois meses entrevistando muitas moças, mas nenhuma delas se encaixava ao perfil que o casal gostaria. Foi quando chegou Cleonice, mulher tímida, recentemente viúva e grávida. Estava morando na casa de uma tia idosa muito pobre, desde que faleceu o marido.
            Ficou muito feliz com o novo trabalho, passou a morar na residência dos patrões, a estadia com a tia idosa era provisória. Já nos primeiros dias que estava morando no emprego deparou-se com Judite, apesar do susto inicial deu um suave sorriso para a mulher que se intimidou e saiu correndo. A doutora novamente demonstrou ser muitíssimo atenciosa, se ofereceu para acompanhar toda a gravidez da nova empregada, que aceitou. Os meses seguintes foram muito tranquilos. Sempre Cleonice ao sair pelo portão se deparava com Judite a encarando e ela sorria para a deformada mulher, que além do problema estético, estava sempre descabelada e mal vestida. Ela morava num casebre de lata bem pertinho dali, era a única vizinha que o casal tinha. A grávida se enchia de compaixão, não tinha medo como as outras pessoas e sempre tentava conversar. Um dia a mulher não correu como sempre fazia quando a empregada lhe dirigia a palavra, ela sorriu também, mas seu sorriso era horrível, abria-se uma cratera imensa emendando  a boca com o nariz, mesmo assim a bondosa empregada não se assustou.
          Esses sorrisos fizeram se diários conforme passava os meses, mas Judite não se aproximava. Quando a grávida estava para ganhar o nenê por aqueles dias, a mulher se aproximou dela e pegou em sua mão e pediu para que ela fosse embora o mais rápido possível, pois após o parto seus patrões assariam a criança para comer, disse que haviam passado por ali mais de quinze grávidas e todas saiam sem seus bebês, ela descobrira o assassinato das crianças, mas nunca falou nada por medo. A empregada assustou-se terrivelmente, mas ao mesmo tempo não sabia se era verdade, por via das dúvidas resolveu ir embora. Ao começar arrumar suas coisas passou a sentir dores de parto e não conseguiu sair. Depois pensou que aquilo era um absurdo. Delírios de uma mulher tão solitária, ficou tranquila. A médica chegou e ajeitou os preparativos para o parto. Tudo correu perfeito até que entra o doutor Reginaldo e comunica o triste falecimento da criança. Cleonice fica desesperada e pede para ver o bebê e ele diz que é melhor que ela não veja, pois poderia ficar traumatizada, a criança nasceu com uma deformidade. Após isso deu um sedativo para a empregada.
             Após ter dormido um pouco, Cleonice acorda ainda muito sonolenta, força levantar-se da cama, ouve um choro de criança distante e segue até a cozinha onde vê o casal banhando o seu filho na pia e preparando uma tábua de carne. Ela desesperada avança no casal com uma faca e consegue ferir Alzira num golpe certeiro, o médico solta a criança e vai para cima da moça que dá a volta pela mesa e agarra o bebê, segurando a faca vai se afastando de costas, mirando-a ao doutor. Ele vendo a esposa no chão sangrando muito, num impulso vai socorrê-la e a mãe corre com seu filho em direção ao portão que está trancado, ela chama por Judite, que venha ajuda-la.  A mulher pula o muro e vem socorrê-la, pega a faca da mão dela e fica frente a frente com o médico que ameaça mata-la também. Enquanto isso Cleonice corre ao telefone e liga pedindo ajuda, segurando seu filho que chora muito nos seus braços. Ao voltar avista o médico e Judite agarrados um ao outro, numa luta corporal. Avista um martelo numa bancada de jardim e o pega e acerta na cabeça do médico atordoando-o, com isso elas conseguem fugir pela estrada. Escondem-se num mato e veem o doutor passando de carro indo atrás delas. Cleonice põe o dedo na boca da criança que suga desesperada de fome e nesse momento para de chorar, quando o Reginaldo está distante ela lhe dá o peito, ficam ali quietas por um grande período e o médico volta para socorrer sua esposa, nisso chega a viatura da polícia.
                 Quando começaram as escavações para encontrar os ossos das crianças, muitos policiais choraram ao desenterrar dezessete ossadas. O casal confessou que assava as crianças para comer.  Esse caso ficou conhecido como os doutores canibais. Depois de alguns anos Reginaldo se enforcou na cela da prisão e Alzira está num sanatório até hoje, ficou louca.
 
   



















MISTÉRIO VI - O MISTERIOSO CASO DO HOMEM BONITO










                                     Esse caso se passou no interior de Minas Gerais, uma cidadezinha linda rodeada de montanhas e abundante em vegetação. Mariinha era louca para casar, desde seus dozes anos  tinha olhar astuto para qualquer homem que aparecesse. Quando completou dezesseis anos era o terror da mulherada, ela se engraçava com todos os homens da cidade, sempre distribuindo sorrisos mal intencionados até mesmo para os casados. Seu pai decidiu que a moça casaria o mais rápido possível antes que ficasse mal falada. Geraldo, homem bom da roça, tinha verdadeira paixão pela moça. Seu Sebastião não vendo outro partido para sua filha, devido já a má fama que começava a se alastrar, resolveu que seria esse o marido. Com muito entusiasmo Mariinha aceitou, não pelo noivo, mas sim pelo casamento, que ela tinha muito gosto.
                                      Casou-se no mês de maio. Seu pai matou duas leitoas e meia dúzia de galinhas e serviu aos convidados com bastante farofa e arroz com pequi. As mulheres foram cedo para a cozinha preparar as comidas. Mariinha ajudou até o horário de almoço na preparação das galinhas ao molho pardo. Depois à tarde tomou um banho de balde e vestiu o vestido branco que sua mãe usara e duas de suas irmãs também. O sapato ela emprestou de uma vizinha. Uma sapatilha de couro preto. Ela se sentiu irradiante, era a princesa da festa, seu grande sonho sendo realizado. Desde o casamento de suas irmãs ela não pensou em outra coisa que não fosse sua festa.
                                      Logo após o casamento a mais nova esposa se deparou com o marido, peça fundamental que até então não passara pela cabeça da moça, que só tinha olhos para a cerimônia do casório. Quando ela reparou naquele matuto de pé rachado e dentes amarelos, ela ficou chocada em não ter escolhido um marido mais bonito. Mas Geraldo demonstrou ser um homem muito bom e paciente, trabalhador e honesto. Fazia todas as vontades da esposa. Ia às feiras e lhe comprava tecidos para vestidos novos, alguns sapatos e até objetos de adornos. Era a felicidade dele agradar a mulher. Construiu com muito sacrifício uma casa para ela e trabalhava incessantemente para poder servi-la de todos os mimos que tivesse ao seu alcance.
                                       A esposa cada vez se tornava mais triste, não amava seu marido. Seus pais pediam para que ela olhasse para ele com olhos de compaixão, com certeza veria a grandeza de espírito daquele homem, que se derramava em bondades para com ela e para o filho que nascera. Algumas mulheres das redondezas tinham inveja dela, pelo homem bom que tinha ao seu lado, pois a maioria casara-se com homens que viviam bebendo e as maltratando e sempre deixando a casa desprovida de alimentos e outras necessidades.
                                       Mas a mulher não estava contente e suspirava por um homem bonito, queria de qualquer jeito um belo marido, coisa que Geraldo estava longe de o ser.
                                       Passado uns três anos chegou na cidade um belíssimo rapaz, tinha os cabelos negros, olhos verdes e estatura alta, esbelto e bastante simpático. As mulheres todas começaram a suspirar pelo jovem rapaz, menos as casadas que eram sérias em seus matrimônios, o que não era o caso de Mariinha  que ficou toda regateira, passou a se arrumar mais e ficava toda sorridente quando chegava perto do moço. Conseguiu se aproximar dele e puxar conversa. Ele perguntou se ela era casada, ela disse que sim, mas que seu marido não prestava. Começou daí um romance secreto com o moço e não demorou nem dois meses para ela começar a pressionar o homem que queria casar-se com ele, deixaria seu esposo. Fernando disse a ela não ter posse, que seria legal se ela ficasse com a casa.  Era uma excelente casa feita com muita luta pelo coitado do marido. A esposa passou a desejar a morte do cônjuge. Arquitetou um plano para matá-lo e o belo moço concordou. Fizeram tudo direitinho, ela o matou dando a ele um veneno e levando-o ao rio e o Geraldo apareceu afogado , todos acreditaram que havia sido um acidente, nem passava pela cabeça dos vizinhos, pois desde que Mariinha começara o romance, fazia tudo na surdina e posava de excelente esposa, coisa que deixou compadres e comadres surpresos de ver a dedicação da mulher que agora estava um primor.
                                        Com o falecimento do marido, depois de muito chorar lágrimas falsas ela fingiu luto, todos ficaram muito tristes de vê-la sofrendo tanto, passado uns meses ela anunciou a todos que iria namorar o belo rapaz, seus pais ficaram contentes, pois não queriam mais ver a moça tão triste.
                                         Não demorou muito e houve o casamento, Mariinha estava feliz demais, seus olhos brilhavam, dessa vez estava apaixonada pelo noivo. Após o casamento Fernando convenceu sua mulher a vender a casa e deixar o filho com seus pais e  ir embora para um lugar maravilhoso, os pais não gostaram muito, mas acabaram concordando, ela tinha obrigação de seguir o marido. Em posse de um carro o segundo esposo colocou os pertences e rodou por toda uma noite e todo um dia, quando chegaram a um rancho ele disse que passariam a noite ali. O casebre era bastante aconchegando apesar de simples, ela ficou surpresa e feliz com a estadia que teria. Quando anoiteceu, foram para a cama e na madrugada a esposa acordou e foi até a cozinha pegar uma água e trouxe para seu marido também. Ela sentiu um forte  cheiro de carniça, imaginou algum bicho morto. Quando foi dar o copo para o moço assustou-se, pois em sua cama tinha um homem feio, baixo, enrugado, desdentado e fedido. Ela deixou o copo cair e foi logo perguntando onde estava seu marido. O homem respondeu que ele era seu marido e que agora viveriam juntos para sempre.
                                        - Você não é meu marido , gritou ela
                                       -  Sou sim e eu queria casar com uma mulher bonita.- Conforme o homem falava mais feio ficava e mais fedido. – Quer saber o meu nome? – Agora sua voz era cavernosa. – Meu nome é ilusão! – Disse ele.
                                        Mariinha fincou os olhos naquele bicho que já não era mais um homem e num misto de horror e nojo quis sair correndo, mas as portas estavam trancadas.
                                     - Não adianta querida, venha me dar um beijinho – Dizia numa voz horrível aquele homem com feridas no corpo e cheiro insuportável de mau hálito com carniça. – Você se casou comigo e não adianta tentar me matar  vamos viver eternamente juntos.
                                       Quando a  mulher olhou para o rancho  viu ratos, cobras e todos os tipos de bichos peçonhentos, uma sujeira imensa e os móveis velhos e quebrados.
                                        Uma semana depois chega no interior do Paraná um lindo moço. Seu nome? Ilusão. Pseudônimo: Fernando.












MISTÉRIO V - O MISTERIOSO CASO DO HOMEM DA CAPA DE CHUVA BRANCA


                                                                                                                          






                                                           Esse caso aconteceu no Norte dos Estados Unidos na década de 50. Era um pequeno vilarejo bastante pacato e com poucos habitantes, todos muito unidos. Suas crianças estudavam numa vila distante, único lugar que tinha escola.  Os moradores conseguiram comprar um ônibus que as levava todos os dias para estudar, todas com idades entre oito e doze anos.  Havia uma velha e comprida ponte que unia o vilarejo com a vila. Os meninos e meninas se organizavam na saída do colégio e entravam no ônibus que era dirigido por Rebeca, uma moça que todos adoravam.
                                                               Aquela sexta feira amanheceu chovendo muito, pensaram em não levar as crianças para a escola, mas como a maioria tinha prova, decidiram por não abortar a viagem. Quando voltavam, já era quase quatro horas da tarde e a chuva continuava forte, a estrada era boa e a motorista dirigia com cautela, faltava  meia hora para atravessar a ponte e já chegar ao vilarejo quando surgiu na frente do ônibus um moço loiro, alto e magro que  vestia uma capa de chuva branca, deu sinal para o ônibus parar, fazendo com que Rebeca freasse bruscamente. As crianças assustaram. O homem foi até a janela da moça e disse para ela mudar o rumo, pois a ponte havia caído com a chuva e não tinha como passar. Rebeca assustada perguntou se alguém havia se ferido com a queda da ponte, mas antes dela concluir a pergunta o moço já estava distante.
                                                                A motorista tomou a decisão de ir pela serra, único caminho alternativo. Gastaria quase o triplo do tempo para chegar ao destino, mas não viu outra saída, tinha que entregar aos pais, os seus filhos.
                                                                Rebeca subiu a pequena serra muito preocupada, o caminho ali era precário e perigoso. O ônibus derrapava e sacudia muito. Os estudantes estavam espantados e ficavam em silêncio, todos apreensivos. Ao terminar de subir a serra, com a visão ampla, os meninos e meninas começaram a gritar para que Rebeca olhasse em direção a ponte, pois ela estava lá, intacta. Com muita raiva do moço, a motorista praguejou-o e ficou imaginando se descia de volta ou continuaria o caminho. Descer com  aquela chuva seria imprudência, continuar era risco de atolar. Quando pensou no risco de atolar eis que o ônibus atolou. Desanimada, a moça volta a olhar para a ponte e praguejar, pois sabia que naquele exato momento estaria sobre a ponte e já chegando ao vilarejo, quando num súbito os seus olhos veem a ponte se desintegrando inteira em frações de segundos, tudo indo para a ribanceira e sendo levado pelas fortes águas da correnteza. Foi uma gritaria geral, Rebeca saiu do ônibus e caiu de joelhos sob o chão lamacento e em lágrimas agradeceu pela sua vida e pela vidas das vinte e oitos crianças que estavam naquele ônibus.
                                                                No vilarejo foi um desespero. Os pais comunicaram pelo rádio com quem estava do outro lado  e eles afirmaram que não estavam vendo o ônibus no trajeto, que nesse momento já estaria chegando, pois ao passar a ponte mais duzentos metros e estavam no vilarejo. Provavelmente havia caído com a ponte, concluíram todos. Houve muitos lamentos, pais e mães desmaiados.
                                                                As pessoas que estavam do outro lado nos seus cavalos ou carros não conseguiam subir a serra, a chuva piorara e ficou impossível passar por aquela estrada. Rebeca e os estudantes ficaram isolados por toda uma noite. No dia seguinte havia estiado, mas o ônibus estava atolado e tiveram que ficar ali, era quase oito horas da manhã  quando veio um trator que estava desatolando um carro e foi verificar se tinha mais algum . Quando o motorista do trator ao se aproximar viu o ônibus e foi avistando aquele monte de crianças seus olhos começaram a verter lágrimas, o que ele chamou de verdadeiro milagre, as crianças estavam todas salvas. Quando o ônibus chegou ao vilarejo escoltado pelo trator, houve choros   e risos. A comoção foi imensa. Naquele dia na missa houve um agradecimento ao homem da capa de chuva branca, que ninguém nunca mais ouviu falar.


MISTÉRIO IV - O SINISTRO CASO DO PÓ MALDITO


                                            









                                               Esse caso aconteceu no bairro da Lapa em São Paulo. Era uma mansão onde residiam os Melvis. Sr e Sra Melvis eram milionários, casal frequentador da sociedade paulista. Muito solicitados em vários eventos e participativos em todas as colunas sociais. Cristina Melvis era uma pessoa muito intransigente, de pouca paciência e bastante arrogante.
                                                Sempre tratava os empregados muito mal. Entrou como copeira uma senhora de meia idade para trabalhar em sua casa. Cristina não gostou de Filomena desde que a viu. Ela havia sido contratada pela governanta. Sem nenhum motivo aparente a madame passou a maltratar a pobre mulher que sempre chegava chorando em casa pelas maldades que sua patroa fazia. Isaura, a filha da empregada, mulher de  personalidade forte,  começou a implicar com a forma que sua mãe era tratada e aquilo a deixava muito chateada. Mais triste ficou  quando soube que sua mãe fora escorraçada da mansão por ter quebrado um prato do jogo de jantar francês. Isaura foi tomar satisfação com a fina mulher que nem a recebeu em casa. Muito humilhada ela saiu da frente da mansão e foi direto a uma senhora que conhecera e soube que fazia trabalhos de bruxaria, perguntou o que ela tinha para arquitetar uma vingança. A velha bruxa disse   que ela estava com sorte, pois acabara de chegar do Nordeste um pó que transformava as pessoas em mendigas,  bastava ser assoprado em frente a casa da pessoa e uma maldição caia sobre toda a família. Isaura pagou caro pelo pó, levou-o em frente à mansão. Nesse momento Sra Cristina estava saindo de casa com seus três filhos, dois jovens e um ainda criança e ao deparar com a filha da empregada recebeu em sua direção o pó que fora assoprado, ela  olhou profundamente em seus olhos e disse que a vingança estava concluída.
                                                Quase um ano depois o primeiro filho do casal começou a beber e já não cumpria com seus compromissos, não queria mais tomar banho e ficava pela rua vagando noite e dia. Os pais desesperados procuraram ajudas de psicólogos, médicos, especialistas e nada pode ser feito. O rapaz mais se entregava às bebidas e andava como um mendigo, dormindo inclusive nas calçadas. A situação perpetuou anos, não adiantava eles darem casa para o rapaz, ele sempre ia para as ruas, até que veio falecer por cirrose.
                                                Bastou o primeiro filho do casal falecer e na mesma semana o segundo começou a beber e ficar caído pelas ruas. O casal de milionários já não tinha gosto nem para frequentar as altas rodas da sociedade, sentiam-se envergonhados e tristes com a situação que viviam. Acertaram para esse filho ficar em uma casa, não parava nenhuma empregada, reclamavam que não davam conta da sujeira, pois o rapaz portava-se como bicho, fazendo as necessidades em qualquer parte da casa e sempre trazendo lixos e os espalhando por todos os cômodos. Dez anos se passaram e nada mudou. O mau cheiro da casa chegava a ser sentido a uma quadra de distância e o rapaz era visto dormindo pelas ruas da cidade, como um mendigo que não tem um teto para se abrigar. Há uma semana a família recebeu a notícia de seu falecimento, pelo que consta morreu de frio, na noite gelada que antecedera ao encontro de seu corpo. Hoje algumas pessoas viram o terceiro filho caído em frente a um boteco. Esse filho há um mês antes estava recebendo o diploma de medicina e era muito solicitado na sociedade. Dona Cristina, há uns dois anos começou a catar lixos na rua e levar para sua casa. O marido não suportando a situação mudou-se para Paris. Os médicos explicaram que é uma doença patológica da mãe transmitida aos filhos. Mas as más línguas juram que viram o Sr. Melvis ser escoltado por policiais de Paris, após ser encontrado caído nas ruas, bêbado.
                                                Acabou de chegar uma nova remessa do pó e a velha bruxa já anunciou o preço, uma verdadeira pechincha.










MISTÉRIO III - O MISTERIOSO CASO DO HOMEM DO SERTÃO

                         




                                               Esse caso se passou no Nordeste de nosso queridíssimo Brasil. Vou ocultar o nome da cidade, por via de cautela. Região quente, que no verão ao sol do meio dia chega a cinquenta graus centígrados. Povo sofrido com a seca. Acostumados a comer farinha por falta de outro alimento. Seu Francisco, homem matuto, trilhava o campo já seco pela estiagem, todos os dias pela manhã para cultivar um pequeno roçado perto do rio, voltando ao final da tarde. Em sua rotina diária o homem da roça parava para almoçar sua fria marmita e descansar embaixo de uma árvore seca, que fazia uma pequena sombra, onde ele se ajeitava para um cochilo esperando o sol baixar. E era exatamente ao meio dia, quando o sol se fazia  pino, surgia ao longe um homem alto, elegantemente vestido que passava serenamente e fazia um leve cumprimento ao matuto. Isso se repetia há anos. O homem sumia no horizonte. Ele via essa cena desde menino, seu pai o ensinara a não dirigir a palavra àquela pessoa que mesmo ao sol do meio dia não demonstrava nenhuma fadiga ou suor. Ele simplesmente acostumara com o fato Às vezes ficava se perguntando o que significava aquilo, outras vezes simplesmente aceitava. De vez em quando saia um comentário sobre o misterioso homem elegante, muitos o via, mas sempre por aquelas bandas do cerrado. Seu Francisco, homem cauteloso procurava pouco falar sobre esse assunto.
                               Um dia apareceu  um repórter. Muito curioso e perguntador, fazia todos os tipos de questionamentos. O pobre homem roceiro pelejava para nada falar, mas ladino como ele só, o moço da cidade sempre conseguia arrancar alguma informação e quando pressionava Seu Francisco, ele dizia:
                              _ “Ói home, nói aqui num fala nada não, só vévi”. E com essa frase sempre conseguia encerrar o assunto.
                                 Mas com muita peleja e jeitinho, Alfredo conseguiu acompanhar o velho homem da roça à sua labuta. Ao meio dia , como se era de costume, apareceu o individuo que os cumprimentou e o repórter correu ao seu encalço. O matuto só observou de longe que ambos conversavam e ele resolveu seguir seu rumo ao roçado. Nada mais soube do que se passou, somente que o rapaz da cidade foi-se embora logo em seguida.
                                  Dez anos depois, o repórter voltou ao sertão  e Seu Francisco ofereceu a ele rede e um prato de feijão de corda, farinha e carne seca. Contou que muitas coisas melhoraram desde que ele se foi, não houve mais seca como aquela. Alfredo trazia nos olhos certa tristeza, disse que se casou com a mulher que amava e fizera fortuna. Há um ano sua esposa faleceu e perdeu todo o dinheiro em jogatinas, viera, pois queria conversar com o homem. O matuto não gostou muito da conversa, ficou ressabiado. No dia seguinte ele acompanhou o homem do sertão e como sempre ao meio dia estavam embaixo da árvore quando surgiu o sujeito. O repórter foi ao seu encontro e conversaram. Depois voltou e perguntou a Seu Francisco se poderia ir à casa dele, precisava descansar. Ao chegar à tapera a esposa do matuto o recebeu e vendo que não estava bem mandou-o deitar-se no quarto e ele fechou a porta e ficou na penumbra.
                                  Quando o esposo de Dona Esperança chegou, ela contou que o moço não estava passando bem, por fim ele ficou por ali arrumando uma cerca quando viu chegar o misterioso homem que anunciou que visitaria o enfermo. Entrou pela sala e adentrou-se ao quarto. Dona Esperança e Seu Francisco ficaram por ali às voltas com seus filhos moços e moças. Após um quarto de horas perceberam o silencio e estranharam. Passado meia hora a mulher enfezada com a invasão de seu lar resolveu olhar pela fresta da porta e percebeu o quarto escuro, com muita fumaça e um forte cheiro de enxofre. Supôs que estavam fumando  e  resolveu esperar mais um pouco, após uma hora achou que estava muito estranho e resolveu entrar no quarto, anunciou sua entrada mas não houve resposta. Empurrou a porta e para sua surpresa não havia ninguém lá dentro. Procuraram pela casa e pelo terreiro, mas nada de encontrar os dois. Sabiam que era pouco provável de terem passado pela janela, pois estiveram o tempo todo na soleira da porta, que ficava justamente paralela à janela. Por muito tempo ninguém daquela casa falou sobre o assunto, tamanho foi o medo. Seu Francisco abandonou o roçado e veio plantar mais próximo de sua casa. Nunca mais esteve embaixo daquela árvore. E quando alguém toca no assunto ele tem a resposta na ponta da língua:
                               -“ Ói moço, aqui nói num fala nada não, só vévi”







segunda-feira, 21 de maio de 2012

MISTÉRIO II


             O MISTERIOSO CASO DOS HOMENS DE PRETO

      





                 Esse caso aconteceu em Santo Amaro, aliás, bairro em que nasci.  Uma jovem senhora, quando ainda moça, ao sair do serviço tarde da noite, estava no ponto de ônibus. A garoa fazia contraste com a noite fria. Não havia mais ninguém no local. A noite era lúgubre. Enrolou-se no casaco fino e ficou ali aguardando a condução. Carros passavam a todo o momento, quando de repente um parou à sua frente e abriu-se a porta. Um homem vestido  elegantemente de preto desceu do automóvel. Ele estava sentado atrás e na frente tinha outro homem, também de preto, que pareceu ser o motorista. Ofereceu-lhe carona, ela não aceitou, mais por educação que por medo. Ele polidamente disse a ela que tinha ordens para levá-la e que não poderia deixar de cumprir. Ela questionou a interesse de quem. Mas ele não respondeu e disse somente que ela entrasse. Geni, sem entender, pois seria resoluta a não entrar, obedeceu como se estivesse em um estado de hipnose. Desse momento em diante nada mais se lembra, foi encontrada uma semana depois vagando pela Avenida Paulista. Estava com a mesma roupa do dia em que sumira. Um policial a encontrou devido às inúmeras vezes em que viu os cartazes espalhados pelas delegacias, que seus familiares fizeram. Ela não conseguia explicar o que houve, não tinha sinais de violência e nem estava desnutrida ou com sede. Desse dia em diante foi ouvida por vários psicólogos, mas nunca chegaram a uma resposta do fato. A moça foi submetida a vários exames e teve como conclusão de um colapso nervoso que levara ao estado amnésico.
                  Aquela imagem última que ficou antes do esquecimento, nunca lhe saiu da cabeça. O homem de estatura alta, magro, elegante, todo vestido de preto e com chapéu, tudo em perfeito alinhamento. O automóvel também preto, ela não sabia a marca, pois não entendia muito de carros, sabia dizer somente que era um conversível dos mais caros. Ela remoia aquela imagem em sua mente, mas não conseguia chegar a nenhuma conclusão. Era tudo muito misterioso. Porém, esqueceu o fato. Os anos passaram e surgiram outras preocupações. Foi morar sozinha após o falecimento de seus pais, numa ampla casa em Santo Amaro, com um belo quintal com árvores frutíferas ao fundo e à frente um belíssimo pé de abacate.
                    Geni acabara de completar 35 anos e estava irradiante, namorado novo, várias amigas, se sentindo muito feliz. Ao chegar à casa prendeu seu dedo no portão e sentiu muita dor. No dia seguinte a dor era intensa e resolveu tirar um raio x para ver se havia quebrado algum osso. Após o atendimento, o médico mandou lhe chamar, perguntou se ela quando criança havia enfiado algum objeto estranho em seu dedo, pois tinha algo que ele não conseguia identificar, não sabia como poderia estar aquilo alojado ali, não era pontiagudo para entrar com um estrepe, mas enfim, pediu que a mulher fosse a um especialista e levasse aquele raio x. O dedo não estava quebrado, a dor provavelmente vinha daquele objeto que com a batida se deslocou.
                       Decidida que iria no dia seguinte a um especialista, ela dirigiu-se à sua casa , não daria mais tempo de voltar ao trabalho. Estando na cozinha fazendo um lanche, a campainha tocou. Surpresa ao abrir a  porta e se deparar com o mesmo homem de preto. Com a mesma fisionomia que lhe ficara gravada na mente. Percebeu que o tempo não havia passado para ele. Sem tempo de reagir, o homem de preto empurrou a porta e entrou. Disse que veio fazer uma rápida visita e buscar algo que esqueceu. Ela queria perguntar muitas coisas, mas não conseguiu, talvez pelo susto ou pela surpresa. O homem convidou-a a ir até a cozinha, ela sem saber como, obedeceu-lhe, deu sua  mão e ele que a colocou sobre a pedra fria da pia, e com a faca cortou-lhe o dedo machucado.   Geni viu o sangue escorrer e gritou de dor, estava aterrorizada. O elegante moço segurou o dedo e enrolou-o em um alvíssimo guardanapo que logo se fez rubro. A mulher caiu no chão desesperada e ele segurou-a delicadamente e fez lhe um curativo. Seu olhar era estranho, não tinha a parte branca dos olhos, mas ela não temeu em olhá-lo tão profundamente, dessa vez queria saber quem era ele e não aceitaria de novo sofrer amnésia. Ao terminar o curativo ele disse para ela não contar a ninguém o que ocorrera,  pois voltaria e dessa vez não seria somente o dedo que ia arrancar. Levou consigo o membro mutilado e as chapas de raio x. Em choque ela  o viu sair pela porta.  No dia seguinte contava aos amigos que acidentalmente enfiara o dedo na máquina de lavar.
                        

MISTÉRIO




O GATO SINISTRO

                  Esse caso aconteceu num tradicional bairro de São Paulo. Moradora da Mooca, Maricota muito apaixonada por gatos, já tivera meia dúzia, no momento só estava com Rina, uma bela espécie sem raça definida. Enorme e gordo, o felino vivia fazendo as honras da casa.  A mulher, muito amável, o tratava como um bebê. Leitinho no pires era seu privilégio. Gostava dos afagos da dona. Ela só não compreendia o motivo de após Rina chegar à sua casa, nunca mais conseguir ter outros gatos.  A bondosa senhora sempre os teve pra mais de cinco. Mas achava natural que um ou outro gatinho acabasse por fugir.
                  A dona da casa, descendente de italianos, era muito caseira, seus filhos casados há pouco tempo, já não moravam mais com ela, mas  vinham em visitas regulares. A doce mulher acostumada com a casa cheia ficara viúva e pela primeira vez se via morando sozinha naquele casarão. Precisou arrumar uma empregada, contratou Solange que se afeiçoou de imediato. A empregada gostava muito do felino, quando ela chegava, logo ele vinha pedir carícias. Um dia Solange caiu doente e não pode mais trabalhar. Maricota colocou anúncio no jornal e contratou Melina. Esta por sua vez, já chegou anunciando que não gostava de gatos. Mas aceitou o serviço mesmo assim. Nos primeiros dias ficou indiferente ao gato, mas bastou pegar confiança com a dona da casa e começou a judiar do pobre bichinho. Deixando-o sem leite e muitas vezes o enxotava com a vassoura. Certo dia bateu com o rodo nas costas do imenso bichano, que miou de dor.  Diante da patroa ela sempre fingia afeto e longe fazia mil e umas travessuras com Rina. O coitadinho ao ver a moça saia que nem foguete.
                  Dona Maricota precisou ser internada às pressas, pois teve um início de pneumonia. Seus filhos pediram para que Melina cuidasse da casa e do bichano, deixando uma chave com ela. Ao chegar cedo à casa e ao abri-la a empregada deparou com o gato encarando –a. Logo expulsou-o e ele nem se moveu. Ela passou por ele e ao chegar à porta do quarto viu o felino novamente, com os olhos fixos nela; estranhou, pois o havia deixado para trás. Quando olhou para a porta do banheiro viu ele novamente, e outro e outro. Assustou-se terrivelmente, todos a encaravam com um olhar de ódio. Ao afastar-se tropeçou no rodo e caiu, os cinco gatos vieram para  cima dela e a destrincharam inteira. Quanto mais ela gritava mais era rasgada sua carne.
                   Dois dias depois ao voltar para o lar, a doce senhora encontrou a porta aberta e não viu ninguém. Seus filhos estranharam a ausência da empregada. Algumas horas depois chegou o marido de Melina, preocupado dizendo que a mulher sumiu. Foram feitos boletins de ocorrência, buscas por casas de amigos, e nada de a encontrarem.
                   Até hoje ninguém sabe do paradeiro da empregada. Rina está lá esperando uma nova empregada que não goste dele.  E também de algum  gatinho intruso.
Raquel Delvaje

EM TRÊS ANOS MEU IRMÃOZINHO SAIU DE CASA SOMENTE TRÊS VEZES


                

                        Em três anos, meu irmãozinho só saiu de casa três vezes. Você não acredita? Pois é verdade! Tudo bem que ele é novinho, tem três aninhos só. Na verdade, nós não temos muita certeza da idade dele, mamãe encontrou-o perdido na rua e resolveu adotá-lo.  Chegou à nossa casa muito magrinho, eu não gostei muito.  Era um bebê feio. Mamãe se apegou muito a ele, ficava dizendo que tinha dó, pois havia sido abandonado pela mãe verdadeira e precisava de maiores cuidados. Meu irmão mais velho é todo bobão e babão, bastou chegar aquela “coisinha magrela” para ficar todo apaixonado. Não vou mentir que fiquei com ciúmes, mas sou muito coração mole e logo já me afeiçoei a ele. Comecei a perceber que era tão pequenininho e seus olhinhos pareciam pedir carinho. E eu cedi.
                            Ontem mamãe colocou nós três no carro. Eu fiquei com falta de ar. Eu tenho claustrofobia e ela fechou os vidros com medo de meu irmãozinho caçula pular pela janela. Ele é meio doidinho. Aí eu fiquei chorando. Eu sentia que ia morrer. Deitei quietinho, mas não conseguia parar de chorar.  Meu irmão mais velho também chorou, ele queria que abrisse a janela, pois gosta de passear com a cabeça pra fora do carro. Mas a mamãe só faz a vontade do “palito magrela”. Eu chamo ele assim porque sou fofo, sou muito fofo. Sou a coisa mais fofa do mundo. Ele fica me chamando de “bola gorda”, mas não ligo, tenho noção de minha fofice.
                              Por fim, só havíamos saído para tomar vacina e voltamos logo. Quando cheguei fiquei muito feliz de estar de volta em casa, passou minha falta de ar. Agora de uma coisa eu tenho certeza, meu irmãozinho ficou apavorado, ele só saiu três vezes de casa até hoje.  Eu não, eu já sai mais vezes. Sai cinco vezes, tenho cinco anos. E só para sua informação todos dizem que me pareço com um tal de Garfield, que deve ser muito lindo! Agora, meu irmão caçula continua feio. O miadinho dele até que é bonitinho, eu gosto dele. E gosto também do meu irmão mais velho que não para de balançar aquele rabo quando fica feliz, eu já disse a ele: balançar o rabo é só quando estamos bravo. Mas ele não entende!

domingo, 6 de maio de 2012

EM TRÊS ANOS SAI DE CASA SOMENTE TRÊS VEZES


                
                               Em três anos sai de casa somente três vezes, e hoje foi uma dessas vezes. Minha mãe colocou no carro: eu, meu irmão mais velho e o outro do meio que é uma bola de tão gordo, eu sou o caçulinha, sou o mais bonito, mamãe sempre diz que sou o mais bonito, só que quando chega gente em casa sempre falam que se encantaram com a beleza do “bola gorda”, mas sei que fazem só para não chateá-lo, porque o bonito mesmo sou eu.  Somente meu irmão mais velho sai todos os dias com a minha mãe, agora eu , foi a terceira vez que sai.  
                               Fiquei muito assustado quando fomos passando pelas ruas. Muitos carros, barulho. Moramos num lugar meio deserto e não costumo ver muitas pessoas. O “gordo bola” do meu irmão ficou chorando o tempo todo. Tem que ver que chato. Eu não! Fiquei inquieto, com medo, mas chorar não. Não sou tão bobo assim. Eu ficava querendo ver as coisas, assustado sim, chorando não.
                               Eu não sabia aonde nós íamos, parece que não chegava nunca, só fiquei meio preocupado porque como não temos o costume de sair, fiquei imaginando o que poderia estar acontecendo. Não relaxei!
                               Quando o carro parou, percebi que tínhamos chegado ao destino. Veio uma mulher e disse que ia nos vacinar. Senti uma picadinha, mas nem doeu. Meus irmãos também não sentiram nada. Eu já entendi que é necessário ser vacinado. Só não gosto muito de sair de casa.
                                Ufa! Quando o carro chegou à frente de casa me deu um alívio, desci e entrei correndo. Que sensação gostosa de estar de volta, o “gordo bola” do meu irmão desceu mais devagar, porque ele é gordo e não consegue ser muito ágil. Mas fiquei com dó dele de tanto que ele miou, ele é muito medroso. O meu irmão mais velho chegou e já começou a latir. Sabe o que é? Ele late, ainda não aprendeu a miar.