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terça-feira, 3 de julho de 2012

MISTÉRIO XV - O MISTERIOSO CASO DE GRAZIELA E DO TREM FANTASMA.


                      






                         Graziela chegou à pequena cidade do interior de São Paulo em cima de um caminhão, contendo nele toda sua mudança. Estava muito feliz, a esperança de uma nova vida a deixara irradiante. Havia visitado o bairro um mês antes e acertou o aluguel com o proprietário. Estava decidida a ter uma vida mais tranquila, passou vinte anos vivendo na grande São Paulo e trabalhando como limpadora de janelas numa universidade da capital. Saia todos os  dias às quatro horas da manhã de sua casa e retornava às oito horas da noite,  uma romaria diária em ônibus e trens. Havia cansado dessa vida e agora que aposentou, decidiu, iria viver no interior, lá arrumaria uma ocupação. Mesmo que não arrumasse tinha uma pequena reserva e agora contava com o dinheirinho do governo.
                        Durante a viagem a mulher tomou um susto muito grande, devido à chuva fina e o asfalto molhado o caminhão derrapou na pista e rodopiou, ela que estava embaixo da lona, mas com a cabeça descoberta, foi arremessada para longe da condução. Foi muita sorte quando percebeu estar viva e nada ter sofrido, caiu sobre a grama no meio fio e teve somente uns arranhões.
                         Veio ambulância e carros de polícia, mas ela estava bem. Concluíram a viagem ela e Seu Bernardo, o motorista. Chegaram e descarregaram a mudança, despediu-se do bom homem . Soube, quando viera conhecer a casa, que tinha  uma estação de trem  atrás de seu quintal, mas o proprietário avisou que fazia mais de trinta anos que estava desativada. Achou tudo muito bucólico. Aquela casinha simples com janelas de madeira e quintal de terra. Uma pequena cerca de bambu e um portãozinho, defronte havia uma rua também de terra com alguns ipês e pés de goiaba, manga e limão. Tinha três belíssimas roseiras ao lado da porta da sala. Graziela sentiu uma paz muito grande e deitou-se num colchão que colocara no chão, depois ia arrumar as coisas. No momento decidiu descansar da longa viagem.
                            Estava começando a escurecer quando deitou e pegou no sono profundamente. No meio da noite acordou com o barulho do trem e muitas conversas, abriu a janela do quarto que dava para o fundo da casa e assustou-se com o movimento da estação ferroviária, muita gente se despedindo ao entrar no trem e outras abanando o lencinho num adeus, algumas pessoas se abraçavam e outras carregavam  malas . Graziela não entendeu muito bem o que se passava e ficou amedrontada. Achou que era efeito do cansaço e do remédio que tomara por causa do acidente e voltou a dormir. No dia seguinte ao levantar olhou pela janela e tudo estava calmo e abandonado, assim como estava quando chegou. Imaginou que foi um sonho. Passou o dia arrumando a casa, ajeitando os móveis e acomodando os objetos nos devidos lugares, à noite foi dormir cansada e acordou de madrugada com o barulho do trem e muita gente conversando. Dessa vez mais lúcida ficou com muito medo. Reparou melhor e viu que as pessoas usavam trajes antigo, as mulheres vestidos longos e os homens: ternos, gravatas e chapéus.  Pensou em sair correndo, mas lembrou-se que não tinha vizinhos e seria muito pior. Cerrou as janelas e ficou quieta ouvindo as conversas, era muito assustador. Nas noites seguintes repetiram-se os rumores. Percebeu que o trem chegava uma hora da manhã e após sua chegada desciam muitas pessoas e chegavam outras. Mas a mulher não tinha coragem de abrir a janela, ficava quietinha até adormecer e acordar com o sol batendo em seu telhado e tudo normal à volta. Resolveu que não mais sairia à noite nem abriria a janela. Se aquilo tinha que acontecer que acontecesse.
                         Passado uns quinze dias, Graziela não se aguentando resolveu ir até a cidade verificar o que estava se passando. Foi até uma biblioteca e pesquisou um livro que estava sobre a mesa, justamente falava de trem e sobre um terrível acidente que matou muita gente. O trem chegava uma hora da manhã, mas naquele fatídico  dia  não chegou, saiu do trilho e se perdeu num precipício matando todos os passageiros, havia fotos de muitos mortos. Totalmente atordoada com aquela situação, ela voltou para sua casa decidida a olhar a cena. Quando chegou à noite nem dormiu, ficou parada na janela esperando chegar o trem. Quando  chegou ela foi até a estação e começou a falar para as pessoas que elas haviam morrido num acidente, citou a data e a hora do ocorrido, as pessoas começaram a chorar desesperadas. Perceberam que realmente haviam morrido. O maquinista avisou que todos deveriam entrar no trem e partir.   Foram entrando e a estação ficou somente com a Graziela. O maquinista a chamou para entrar. Ela acenou com a mão num adeus, dizendo que  não iria. O homem insistiu que ela deveria ir também. Foi quando chegou correndo o Seu Bernardo e entrou no vagão. “Vamos”, diziam todos, chamando-a. Ela sorriu e disse que iria assim que morresse. O caminhoneiro a chamou e perguntou se ela não se lembrava de nada. Ela perguntou o motivo dele  estar entrando no trem e ele explicou que os dois haviam morrido no acidente que houve na estrada, naquela tarde chuvosa em que vinham de São Paulo.  Dos olhos de Graziela desceram duas lágrimas... secas.








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